terça-feira, 12 de abril de 2011

CET testa semáforo com medidor de tempo

Doze semáforos que indicam quanto tempo ficam abertos e fechados estão sendo testados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) desde semana passada. O objetivo da Prefeitura é verificar se os aparelhos podem ajudar a reduzir o número de acidentes de trânsito na capital.

O uso de equipamentos semelhantes em esquinas de São Carlos e Piracicaba, no interior, fez a quantidade de batidas e atropelamentos cair até 35%, segundo pesquisa feita por engenheiros da Universidade de São Paulo (USP). Ainda não há resultados da aplicação deles na capital.

Chamados tecnicamente de “semáforos com grupos focais regressivos”, os aparelhos funcionam de um jeito parecido com os faróis que organizam a largada da Fórmula 1. Além das três lâmpadas tradicionais, eles possuem cinco luzes vermelhas e cinco verdes de tamanho menor nas laterais.

As lâmpadas verdes vão apagando, uma a uma, à medida que o semáforo está perto de fechar. A CET informou que os 12 cruzamentos foram escolhidos pela “incidência de acidentes”. Além do farol, foram instalados radares de invasão de faixa de pedestres e de passagem no semáforo vermelho.

Em nota, a CET disse que os aparelhos “possibilitam maior segurança” e que, nos locais escolhidos, “não é recomendável a utilização do ‘amarelo piscante’ durante a madrugada, devido ao volume de veículos”. O tráfego é um dos pontos que devem ser analisados para justificar a instalação deste tipo de semáforo, segundo o engenheiro José Mário de Andrade, diretor da Perkons, empresa de tecnologia de trânsito.

“O uso do temporizador precisa ser considerado caso a caso. Quando apresentamos ao motorista mais um display com números decrescentes, pedimos que ele processe mais uma informação. Isso pode implicar num déficit de atenção aos outros componentes do trânsito”, diz Andrade.

Já o professor de engenharia civil da USP de São Carlos Antônio Clovis Pinto Ferraz tem provas de que os medidores de tempo em semáforos podem aumentar a segurança. No início do ano, ele orientou uma pesquisa que concluiu que o número de acidentes em cruzamentos de São Carlos e Piracicaba onde os semáforos foram instalados caiu 35% e 34%, respectivamente.

“Muita gente achava que os motoristas iam acelerar mais quando vissem que o farol estava perto de fechar. Notamos que isso não aconteceu”, afirma. “A primeira explicação para a redução nos acidentes é o tamanho do semáforo, que fica maior e mais visível por causa dos contadores.”

A pesquisa utilizou tanto equipamentos com lâmpadas que apagam sucessivamente quanto aqueles equipados com relógios regressivos. Não houve diferença entre os resultados, diz Ferraz. Faróis com contagem regressiva são usados há cerca de dez anos em Diadema, na Grande São Paulo, onde existem 50 aparelhos do tipo, e na vizinha São Caetano do Sul, que possui 52, há seis anos.

( Do Jornal da Tarde )

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